quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Quem sabe?

Eu subiria aquele muro e correria muitos quilômetros, tantos que eu não sentiria mais as pernas de tanta pulsação. Eu nadaria muitas braçadas de mar eu correria contra o vento. Eu sorriria para todas as pessoas que eu visse, eu me resolveria com o espelho. Eu desculparia tudo. Eu teria a fórmula para os problemas. Eu trabalharia como mergulhadora. Eu viajaria sem ter para onde voltar e nem onde ficar. Eu ficaria mais tempo sem fazer nada. Olhando apenas as estrelas. Um dia, antes de eu morrer, vou fazer tudo que eu sempre quis.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Nota de rodapé.

Pois é. Quem diria, não é mesmo? Conhecer alguém assim, num lugar inusitado, sem nenhuma expectativa. Fazer parte do seu mundo, te levar para conhecer o meu. Descobrir novas cores juntos. Não sei quantas coisas eu posso te acrescentar, você já conhece tantas, já viveu tanta coisa. Eu tão iniciante. Seja bem-vindo ao meu mundo, me deixa fazer parte do seu, sua vida é complicada, podemos simplificar tudo. Não precisamos de horários, nem de datas marcadas, estou com você. Sempre.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Para Sarah

Seus olhinhos castanhos
brilham muito
nesta manhã

Eu te escrevi um poema
uma vez
eu nunca chorei
tanto
por causa de um poema

Seu sorriso é lindo,
mais,
muito mais belo do que
toda a riqueza falsa
que eu vi pela vida.


O seu sorriso brilha de um jeito
especial
nesta manhã
Eu nem me importo se você ama
mais
outras pessoas
Eu te amo muito.

Eu gostaria de te ver crescer,
apesar de gostar tanto de você
Do jeito que você está
Esse sorriso, queria que ele nunca saísse do seu rosto

Seu choro,
me parte em duas
Fico, não saio de perto de você.

Por nada.
Eu vejo você
A paz se instala
Eu quero paz 
sempre
Eu quero sempre
você
por perto.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O parque misterioso


Cecília gostava de observar as pessoas. Ela ficava horas parada vendo o que as outras crianças estavam fazendo. Não se envolvia nas brincadeiras preferia não fazer parte de nada do que via. Tinha certo medo de se envolver, era cópia fiel de seu pai.
Um dia estava no parquinho e viu uma coisa que a marcaria para sempre. Rosa e Clarisse estavam brincando de esconde-esconde, Clarisse se escondeu atrás de um árvore, Cecília piscou e não a viu mais. Por horas procuraram a menina, nada dela. Cecília que não perdia de vista uma só pessoa do lugar não viu nenhum indício do ocorrido.

Chamaram a polícia. Os policiais chegaram e fizeram algumas perguntas:

- Quantos anos tinha a menina?
-Qual era a cor da roupa dela?
-Por que os pais não vieram junto?

Cecília respondeu:

- Ela tinha 8 anos.
-Estava usando uma calça preta, blusa rosa, cachecol verde e sapatos mocassim.
-Os pais dela são muito ocupados, eles nunca buscam ela na escola...

Os policiais estranharam os pais não terem aparecido, pois o chamado havia sido feito pela mãe de Rosa. Então a primeira solução que encontraram foi dar uma busca na casa dos pais. Chegando lá conversaram com uma senhora que cuidava da casa e perguntaram:

- Onde estão os pais da Clarisse

-Eles estão trabalhando. Aconteceu alguma coisa com ela?

-Ok, a senhora pode me informar o telefone deles ou o endereço?

- O telefone é 3254-0987.

Eles foram embora.

Cecília continuou no parque observando as pessoas se movimentarem, alguns pareciam muito apreensivos, Rosa não parava de chorar, a mãe dela estava meio receosa, tinha visto a menina um minuto antes dela desaparecer completamente, as outras pessoas que paravam nas proximidades do parque só queriam saber o que estava acontecendo, muito provavelmente porque eram tediosas e mórbidas. Cecília queria saber o que tinha acontecido com Clarisse, não porque fosse como as outras pessoas que fingem que se importam e depois de cinco minutos já esqueceram. Ela raramente brincava com as meninas, mas via uma luz especial em Clarisse, Rosa era comum, mas Clarisse não. Havia um mistério muito grande nesse desaparecimento. Pela primeira vez Cecília sentiu fazer parte de algo, ela precisava saber o que tinha acontecido. Pela primeira vez sua obsessão por observar tudo ao redor seria útil ao mundo.

Ela refez a rota da menina, desde a hora em que ela entrou no parque até a hora em que sumiu, anotou como estava preso o cabelo dela e até os movimentos que foram feitos. Lembrava que uma luz negra, parecida com uma sombra envolvia a árvore e que depois que Clarisse desapareceu o sol começou a bater naquele mesmo lugar, onde antes só havia escuridão. Foi até a delegacia onde cuidavam do caso e entregou seus desenhos e anotações. Ela não desenhava, nem escrevia muito bem, afinal tinha apenas oito anos, mas explicou muito claramente o que tinha escrito e desenhado. Ela falava muito bem, não parecia ter a idade que tinha, era desenvolta. Uma das vantagens de se observar tudo é que ela percebia como os adultos falavam e aprendeu a se comunicar maravilhosamente bem. 

Saindo da delegacia ela foi para sua casa jantar, sua mãe a olhava apreensiva e por fim disse:

- Ficamos sabendo que a Clarisse sumiu, você viu alguma coisa... não queremos que fiquem te envolvendo nessas investigações, você é muito pequena. Não vamos mais te deixar sair sozinha, vou com você para todos os lugares.

A mãe de Clarisse não era das mais preocupadas e raramente demonstrava afeto, estava sempre trabalhando. O pai era ausente, nunca leu nenhuma das vinte e cinco cartinhas que ela escreveu desde que aprendera a juntar as palavras e formar frases. Os desenhos que ela fazia estavam todos guardados em pastas muito bem guardadas no sótão. Apesar de toda a frieza com que era tratada a menina era de uma doçura e meiguice únicas. 
Os pais e a casa ficaram sob investigação, os policiais começaram a ler as cartas. As primeiras diziam: U TI AMU PAPI. Eram afetuosas, ela falava na maioria delas que queria ganhar um gatinho de presente de aniversário. Havia uma do dia do aniversário dela que chamava muito a atenção dizia:

Papai,

eu to fazendo oito anos eu te pedi tanto um gato. Todo dia eu te pedia um gato nas minhas cartinhas. Eu não queria que o senhor ficasse bravo por isso pedia no dia do meu aniversário. Acho que o senhor nem leu as minhas cartas. To muito triste. Eu não so mimada. Eu precisava do gato. A Rosinha falou que o gato ia me ajudar muito a espantar essas coisas horríveis que eu vejo. Pai, eu sou pequena mas eu sei que o senhor não queria ser meu pai, eu to escrevendo mas sei que vai pra pasta do sótão, eu queria muito mesmo que o senhor lesse e me desse o gato, ou que pelo menos me perguntasse se eu queria mais uma barbie sereia, porque eu não queria bonecas. 

beijo papai.

A última carta os fez procurar Rosa, nela eles leram:

Pai, eu falei pra Rosinha que eles iam me pegar, a hora está próxima, eu não sei onde vai ser, nem como. Mas eles vão atrás de mim. Eu confio tanto no senhor, você tem melhorado o seu jeito comigo, mas não vai conseguir me proteger. Provavelmente hoje a noite eu não vou mais estar em casa, eu queria muito estar, porque isso ia me ajudar a cuidar do mundo. Me disseram que eu tenho o dom da cura, mas se eu sumir hoje, não vou poder fazer mais nada. Vou ficar com a Rosinha o dia todo, porque ela é minha melhor amiga e a única pessoa com quem eu consigo conversar sobre as coisas feias e malvadas que eu tenho visto e ouvido. 


Quando eles chegaram na casa de Rosa, a mãe estava em prantos, não parava de soluçar, não conseguia completar a frase. Então apontou para o corpo sem vida, de Rosa. Aparentemente tinha tomado todos os comprimidos de aspirina e dormido, a mãe percebeu muito tarde.

Eles entraram no quarto de rosa e acharam um desenho, um homem pintado de amarelo com olhos vermelhos abria as mãos e projetava uma sombra sobre as flores e árvores e uma menina loira, assim como Clarisse, caia num buraco.


Voltaram ao local do desaparecimento e procuraram qualquer vestígio do desaparecimento de Clarisse, um buraco, vala, passagem. Depois de alguns exames descobriu-se que ela havia sido induzida a ingerir os comprimidos, não os havia tomado por vontade própria. Nenhuma das pessoas que estavam no parque podia ter raptado Clarisse, não havia ninguém nas proximidades, o que eram as coisas horríveis de que ela falava, quem teria induzido Rosa a tomar os comprimidos?

Cecília agora só podia sair com a mãe, entou resolveu observar todos na escola, mesmo que não estivessem todas as pessoas lá, podia descobrir muito dos pais nos filhos. Alguma coisa ela descobriria. Resolveu anotar todas as reações das crianças. Quem mais lhe chamava a atenção era Johnatan que estava no parque no dia e não teve a menor reação.

Os dias se passavam e ninguém tinha a menor pista do que poderia ter acontecido com Clarisse. Se estava morta, viva, se a tinham raptado. Ninguém que a conhecia tinha motivos para fazer algo, era doce e parecia fazer bem a todos. Os pais aparentemente não se importavam com ela, mas não tinham motivos para dar-lhe um sumiço.Nada indicava que havia sido um dos conhecidos.

O caso de Rosa já havia sido resolvido, sua mãe não estava mais aguentando o choro da menina e a fez tomar todos os comprimidos de aspirina na intenção de nunca mais ter que ouvi-la. A mãe de Rosa não tinha qualquer envolvimento com Clarisse, um caso nada tinha a ver com o outro.

Muitos anos se passaram e o caso de Clarisse nunca foi resolvido. Cecília continuou procurando vestígios que fizessem explicar como ou por que ela havia desaparecido, mas nunca chegou a nenhuma conclusão. Tornou-se detetive da polícia , mas nunca descobriu o que havia acontecido. Casou-se, continuou morando na mesma cidade de sua infância, teve uma menina linda, loira que decidiu chamar de Clarisse.

Um dia levou Clarisse ao parque, foi comprar sorvete, descuidou-se por um minuto e uma sombra envolveu sua filha. Nunca mais a viu...







segunda-feira, 18 de junho de 2012

O amante

O castelo de cartas estava há um passo de cair, não fosse ela para me ajudar, tudo seria sempre o mesmo caos de sempre. Eu sempre relembro aqueles olhos expressivos, tinham uma ternura infantil, mas uma força que dificilmente se vê. Não quero me ater a aspectos físicos, não era a mais bonita nem a mais feia das mulheres. Seus dentes eram brancos, sua estatura era média, seus olhos eram a janela da alma, espelho da virtude, mas também podiam ser muito frios, bastava emergir nas tristezas do mundo. Eu tentava convencê-la de que o mundo é cíclico, pelo pouco de conhecimento que eu tinha de História, mas ela dizia que era só o meu ponto de vista contaminado pelo pessimismo, que eu deveria parar de ler os jornais matinais. Ela dizia:
"Os jornais são uma forma de nos comunicar sobre o mundo, mas eles influenciam demais as nossas ações e acabam por nos fazer agir mal. Dão ideias absurdas às pessoas desesperadas."
Eu ria, não sem me questionar até que ponto aquilo que ela me dizia era relevante. Apesar de não crer nisso, percebi que ler o jornal da manhã me tornava um homem cada vez mais solitário e medroso.
Eu não queria que minhas filhas pequenas fossem vítimas da pedofilia, nem que ela, meus olhos, fosse estuprada, ou que me roubassem o carro que eu acabava de pagar com muito esforço e trabalho, medo de morrer, medo de confiar nos meus vizinhos e colegas de trabalho.Nós nos tornamos escravos do sensacionalismo e do medo da violência. Era um medo velado, mas ia se tornando doentio, eu parava de confiar, isso se estendeu tanto, que um dia parei de confiar em nós, em mim. Gostaria de saber ao certo quem era ela, no começo me era necessária, depois fui me tornando necessário. Por fim, já não nos precisávamos, tínhamos um amor bonito, consumido e desnecessário. Ela era casada, eu também. Nunca tinha pensado em me separar da minha mulher, exceto quando ela me disse que não queria mais, que a casa dela estava em crise, que o castelo de cartas, estava prestes a cair também. E sumiu antes que eu abrisse os olhos. Foi num dia de abril. Odeio dias de abril, tudo de ruim me acontece nesse mês. As mulheres por vezes, me fazem sofrer muito, sem necessidade. Nunca mais a vi, mas aqueles olhos me fitam, me consomem.
Meu mundo foi ficando reduzido à minha mulher e duas filhas. Eu as amava, mas não pude evitar o distanciamento compulsório que a minha vida ia tomando delas, dos pequenos cuidados cotidianos que eu não mais queria participar, das escolhas solitárias que eu ia fazendo.
Então num dia, em agosto, eu comprei uma passagem para Santiago, no Chile e decidi que iria viver só, num lugar onde eu não tivesse conhecidos que me necessitassem, não há coisa mais difícil do que ser necessitado por alguém. Já passei por isso, não dou chance para o mesmo erro duas vezes. Pelo menos é o que eu prefiro pensar, sei que posso necessitar de cuidados de outras pessoas, que a velhice chega para todos. Sei sobre o ciclo.
Hoje Frida vem me ver, mas não vou contar a ela sobre olhos que consomem, vou falar da boca dela que me engole.
Vou amar mais uma vez, mesmo que essa possa ser a última. Mesmo não querendo me machucar. O amor dói.

domingo, 17 de junho de 2012

Sobre a beleza das coisas.

Aquele dia eu andava com os pés fincados no chão, quando eu vi você. Meus olhos se encheram de esperança, minha mente era toda torpor. A beleza não se pode vender, nem comprar, nem trocar, ela pode durar instantes ou eternizar-se como as estrelas. Ela nos é inútil e tão necessária, como tudo que realmente vale a pena, é sem explicação.

terça-feira, 29 de maio de 2012

A janela da minha vida

Eu olho pela janela
e tudo passa

Passam umas crianças
rindo

Passam animais
em suas coleiras

Passam adultos em
suas cóleras

Passam homens
e mulheres

Passam os que amei
os que eu nunca amei

Por que eu nunca amei?

Tudo passa.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Lu.

Eu fico notívaga, me apego a qualquer coisa que possa me trazer um sorriso, mesmo que triste, mesmo que amargo.
Eu sei que eu não quero mais, que não posso mais tentar nada, que já não dá.
Só queria que você me dissesse que está tudo bem.
Que os lírios continuam crescendo.
Que ainda tem esperança para nós nesse mundo.
Que você ainda liga o som na garagem e fica dançando.
Que você lembra de mim de uma forma boa.
Você tem o formato do meu amor, é uma pena eu ter que comprar formas novas e jogar as velhas.
Sei que ainda vou te amar por muito tempo.

terça-feira, 20 de março de 2012

Talvez eu seria.

Se perder não é melhor forma de se encontrar? Eu me pergunto isso todos os dias, me sinto perdida dentro de um labirinto interno e as pessoas vêm e me perguntam o que eu pretendo no futuro, não tem uma resposta digna e nem indigna o suficiente para isso, aquela velha história do que eu vou ser quando eu crescer, mas estranhamente eu já cresci, porém me sinto uma menina presa num corpo maior. Quando me olho nos espelhos da sala de dança vejo que os meus quadris são muito maiores do que eu pensava que eles eram, isso me causa uma extrema vergonha. Vergonha de não saber o que eu sou, o que eu realmente quero de verdade. Eu quero tudo, quero também o nada absoluto, me fartar de olhar nos olhos do amor e entender porque nada me fortalece. Essas perguntas sobre pretensões me causam uma agonia extrema, nenhuma resposta que eu vá dar dirá exatamente o que eu quero, porque de certa forma eu já tenho sido o que eu quero e também o que eu não quero. Eu apenas vou fluindo entre as pedras que me aparecem, carrego algumas no caminho, ás vezes acho que são preciosas, mas pedras preciosas servem para que? Muitas vezes elas são pesadas e pretensiosas demais para seguir o caminho com alguém frágil como eu. O que eu tenho a oferecer? Lágrimas, sorrisos, companheirismo e só. Dinheiro? Não tenho. Acho incrivelmente estranho não ter passado nenhuma necessidade até hoje, a bondade das pessoas que me cercam e talvez até a maldade das mesmas tem me levado para frente. Agora me sinto chegando ao fim de um poço sem fundo. Se eu escrevo essas coisas é porque tem algo maior em mim que quer sair, preciso descobrir a que vim. Não sei porque estou aqui, não sei porque sempre fui uma criança melancólica. Ofereço sorrisos à quem os quiser. Só peço que seu ego seja ínfimo e que você me faça companhia nas horas de sol. Só peço a verdade, ou o mais perto que você possa chegar disso.

domingo, 4 de março de 2012

Às vezes fico me perguntando para onde vão os esforços inúteis que nós fazemos. Tantos esforços que ninguém utiliza, para vermos que só perdemos nosso tempo, nossa saliva, nosso amor. Para onde vão os amores que acabam? Para onde vai o que nós fomos? Para onde foi o que nós nunca mais seremos? Onde estão os sorrisos que eu tinha para oferecer antes? Como eu posso medir os de hoje? A vida é sempre uma página virada e uma em branco. Hoje eu ofereço um sorriso e uma constatação de que eu aceito as páginas brancas e os borrões do passado. Não fui melhor antes, não serei melhor depois. Não tenho passado, nem futuro, tenho páginas, muitas páginas, que talvez não haja tempo de reescrever, mas fiz o que pude como escritora de uma vida impulsiva.