quinta-feira, 9 de maio de 2013

Pequenina

Cada vez que te vejo você vai parecendo diferente
seus tracinhos vão virando traços um tanto maiores a cada dia
seu sorriso é lindo
seu brilho no olhar
quando você brinca com as suas bonecas 
e eu me sinto orgulhosa de ver como você vai se desenvolvendo
e ficando cada vez mais inteligente
Eu não sei o quão inteligente você é para a sua idade
nem me interessa saber
você parece um ser inédito
de beleza que me comove
não me importa o que as outras pessoas acham
eu fico tão feliz de poder te ver todos os dias
você me faz feliz por existir

Anhangabaú que significa rio dos malefícios do diabo

Faz tanto tempo que não escrevo que já nem sei mais o que escrever... escrever é um exercício tão complexo como sentir. Mas já que comecei a escrever vou continuar até que as minhas mãos se cansem e falte completamente o assunto. Acordo às 6h, eu falo às 6h, mas que eu me lembre nunca mais acordei antes das 6h30, ás vezes um fiozinho de esperança acorda comigo, ás vezes ele não acorda, fica bem dormido, mas só dormido, em alguma parte do dia em que a coisa realmente aperte, o fiozinho acaba acordando de vez. Nesse momento, que nem importa que momento é, porque depois de um tempo eu vou esquecendo quais eram os momentos, ficam só as sensações e algumas saudades apertadas de coisas boas e bobas... como as tardes de sol que eu passava quando tinha 16 anos, não que faça muito tempo, mas 5 anos é um tempo e o tempo anda passando. Quem sabe daqui 5 anos... Como eu dizia nesse momento estou trabalhando no Anhangabaú, não importa o que eu faço e qual o nome da empresa, trabalho lá. Se alguém ler isso ou se não ler também saiba: o Anhangabaú tinha tudo para ser lindo e não deixa de ser, mas especificamente não é, o centro de São Paulo é esse misto de dor, tristeza, realidade, beleza entrelinhas, cheiros completamente opostos e desagradáveis entre si, pobreza, miséria e turismo, marco zero... Acordo todos os dias e a realidade é que eu vejo muita dor, cheiros humanos, pessoas viciadas em crack e um caminhão da prefeitura que passa e joga água em tudo ( aliás se você um dia der de cara com esse caminhão, se não quiser tomar um segundo banho, não fique na frente dele), eu subo e isso dói, corrói, mas eu subo, depois eu esqueço, gostaria de não esquecer, ou fingir que esqueci, mas me consolo dizendo: se você continuar fazendo Psicologia ainda vai poder fazer algo por essas pessoas? Será que vou mesmo? Eu fico me perguntando, por que eu não faço agora? Por que trabalho apenas para pagar a faculdade? O fiozinho de esperança estremece. Me contento muitas vezes que ele não tenha morrido. Ele pulsa. Um dia desses eu paro de ser essa contradição.